Migração
Desde a antiguidade que os fenómenos de aparecimento e desaparecimento das aves inquietavam os naturalistas, que não tinham a certeza se as aves migravam ou hibernavam. Hoje sabemos que qualquer coisa como 5.000 milhões de aves terrestres de 190 espécies deixam a Europa e a Ásia em direcção a África, e que algo similar ocorre na América do Norte, com mais de 200 espécies a migrar para Sul.
A pergunta de porque é que as aves migram continua a ser intrigante para os investigadores. Os benefícios têm que ser substanciais porque os custos energéticos e os riscos da migração são muito elevados. Pensa-se que mais de metade dos passeriformes terrestres que nidificam no hemisfério norte não regressam da sua migração para sul. A grande vantagem da migração é que permite que haja actividade ao longo de todo o ano, não sendo necessário recorrer a hibernação ou estivação, podendo as aves explorar recursos alimentares sazonais enquanto vivem em regiões com clima favorável. Podem também evitar o reduzido número de horas do dia do Inverno mais próximo dos pólos e maximizar o tempo que podem despender a alimentar-se, bem como explorar “booms” de disponibilidade de alimento que ocorrem em certas zonas do globo em determinados períodos do ano. Outras aves “fogem” da escassez de locais de nidificação e da competição com outras espécies.
O comportamento de migração não é fixo. Algumas populações adquirem ou perdem o hábito de migrar. Por exemplo, a Milheirinha (Serinus serinus) alargou a sua área de distribuição por toda a Europa, a partir do Mediterrâneo, ao longo dos últimos 100 anos. Enquanto as populações ancestrais mediterrânicas são residentes, as novas populações do norte da Europa são migratórias. Já o Tordo-zornal (Tudus pilaris) que colonizou recentemente a Gronelândia formou uma população residente, enquanto as populações originais da Europa são migradoras. Em Portugal, a Cegonha-branca (Ciconia ciconia) era uma espécie exclusivamente migradora, estando presente no nosso território apenas na época estival. Hoje em dia, uma grande parte da população é residente.
Embora os estímulos e o mecanismo responsáveis pelo comportamento de migrar não sejam compreendidos na totalidade, sabe-se que o aumento das horas de luz no Inverno, através de um mecanismo hormonal, estimula a ave a comer em excesso e a acumular reservas de gordura, que vão servir de combustível à migração.
Algumas espécies migram directamente para o seu destino, sem realizarem paragem, enquanto outras param em determinados locais para descansar e para se alimentar, repondo as suas reservas.


